A teoria da evolução das espécies deve muito aos estudos e às observações de Darwin durante a viagem do “Beagle”, entre 1831 e 1836. No entanto, apenas em 1859 que A Origem das Espécies é publicada. A demora é evidência da preocupação e da consciência de Darwin de que tinha em mãos: uma teoria que abalaria a estrutura dos conhecimentos vigentes. É difícil pensar na palavra “evolução” e não associá-la a progresso, melhoria e desenvolvimento. Talvez por isso Darwin tenha resistido em usar o termo. A ideia de evolução biológica não se refere a um dado hierarquizante entre as espécies, mas às alterações ocorridas ao longo dos anos, pela ação das mutações seguidas da seleção natural. Após a publicação do livro, Darwin dedicou-se ao aprimoramento e exame da teoria e, somente em 1871 são publicados A Origem do Homem e A Seleção Sexual.
“Quando forem admitidas as ideias que apresento nesta obra, ou as do Sr. Wallace, ou quando forem admitidas ideias análogas sobre as origens das espécies, podemos prever uma revolução considerável na história natural.”
— CHARLES DARWIN
A ORIGEM DAS ESPÉCIES, 1859

O LIVRO A ORIGEM DAS ESPÉCIES
A primeira edição do livro, publicada em 1859, esgotou-se em um dia. Saindo do tradicional alcance da história natural, o texto é resultado também de leituras em economia, filosofia e uma investigação criteriosa no mundo da criação de animais e do cultivo de plantas. Guarda um testemunho importante sobre a relação entre as inúmeras formas de vidas, de repolhos a ovelhas, mas evita, deliberadamente, tratar de questões sobre o Homem. Como nas obras de Dickens, contemporâneo de Darwin, o texto que convida à imaginação é também um tesouro do livro estimulando uma outra maneira de ver e compreender a vida.

Charles Robert Darwin | 1873 | F. Waddy | Coleção: CC BY Wellcome Collection
“De l’origine des espèces par sélection naturelle ou, Des lois de transformation des êtres organisés” | Charles Darwin | 3.ed. Paris : . Guillaumin; 1870. lxxi,viii, 614 p. | Coleção: Biblioteca Barbosa Rodrigues – JBRJ